quarta-feira, 7 de outubro de 2026

AS ESTRELAS DO BALLET 50+ EM BELO HORIZONTE

 Bailarinas de 53 a 84 anos vão se apresentar em 9 de outubro, no Teatro Sesiminas, no espetáculo Movimento em Cena com músicas de cinema; cuja entrada é a doação voluntária  de 1 kg de alimento não perecível

Da cirurgia de hérnia de disco que comprometeu o equilíbrio e a coordenação motora aos tratamentos, às aulas de balé aos 56 anos, à abertura das cortinas do espetáculo. Maria Elizabeth Abreu Araújo será uma das 73 bailarinas, com idades entre 53 e 84 anos, que vão subir ao palco do Teatro Sesiminas, em Belo Horizonte, no Movimento em Cena, neste 9 de outubro, às 19h30, com músicas de cinema. Elas vão apresentar, por meio da dança, novas interpretações de histórias conhecidas pelo público nas telas. 


“Escolhemos o tema porque o cinema desperta memórias e emoções que dialogam com as vivências das nossas bailarinas. Ao levar essas histórias ao palco, queremos valorizar a criatividade e a força expressiva das mulheres com mais de 50 anos, mostrando que a arte pode ser vivida e reinventada em qualquer fase da existência”, diz a fisioterapeuta Meiry Ismeria de Paula, coordenadora do Ballet 50+, projeto desenvolvido pela  Associação Meiry Ismeria de Paula.

Serão 16 coreografias nos ritmos clássico, contemporâneo e pop rock dos anos 1970. Meiry de Paula informa que as músicas são de filmes que fizeram muito sucesso, como New York, New York (1977) e Titanic (1997) e Loucuras de Verão (1973). Os ritmos desses grandes filmes vão dar visibilidade e brilho às bailarinas no palco em Belo Horizonte, como Maria Elizabeth. “Desde o início, ela tem demonstrado progressos significativos em aspectos como equilíbrio, coordenação, consciência corporal, confiança para a realização dos movimentos, autoestima e interação social.”


A fisioterapeuta vê, percebe, confirma que a prática do balé se mostra uma importante ferramenta complementar para a promoção da saúde física e emocional. “A dança ajuda demais na melhora e fortalecimento da autoestima, estimula a memória e a atenção, cria oportunidades de convivência e amizade. Algumas alunas que enfrentam a depressão relatam melhora no ânimo e no bem-estar desde que começaram a participar das aulas. É emocionante vê-las redescobrir a alegria de dançar e a confiança para ocupar o palco.”

Os espetáculos são realizados desde 2022. Eram duas apresentações por ano e em 2025 foram três. Aumentaram em 2026: uma já foi realizada e estão previstas outras três. Passaram para um teatro maior, terão mais bailarinas de baixa renda. “Este é um dos diferenciais, as apresentações vão ter mulheres que sonharam em fazer balé e nunca tiveram oportunidade”, explica a coordenadora do projeto. Ela afirma que tanta transformação foi possível com patrocínio da empresa Medsenior.

Com a ajuda, ela conseguiu confeccionar figurinos para as alunas, abrir espaço a mulheres de poder aquisitivo mais baixo, oferecer lanche nos dias de espetáculos, levar a apresentação para teatro maior. “Sou muito grata”, diz Meiry de Paula que emociona-se ao falar do resultado do trabalho de inclusão da terceira idade por meio da arte.

“ A vida ficou mais leve”

 Aos 65 anos, Maura Gordiano de Castro diz que o balé transformou sua vida. “Antes da dança, eu vivia em função do trabalho, da família, da casa e dos filhos. Estava sempre estressada, ansiosa e preocupada com a correria do dia a dia, tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo. A rotina era sempre a mesma”, conta.

Maura decidiu, então, se matricular no balé como forma de exercitar o corpo, mas os benefícios da dança foram muito além. “Era para ser uma atividade física, mas a dança mudou minha vida de uma forma maravilhosa. A vida ficou mais leve. Não estou mais ansiosa, não me estresso à toa, consigo dormir bem e organizar minhas coisas com calma. Sinto-me bem-disposta e animada”, relata.

Para ela, o carinho, a acolhida e a convivência com mulheres inspiradoras também fazem parte da transformação proporcionada pelo balé e contribuem para seu bem-estar e sua autoestima.  E ela está pronta, preparada para a abertura das cortinas do palco do Sesiminas, no dia 9, e de quantos mais vierem.


Como obter os ingressos

A entrada para o espetáculo é a doação voluntária de 1 quilo de alimento não perecível , mas antes é necessário pegar ingresso no (31) 99493-4221 com Meiry de Paula. 

Os alimentos serão destinados ao  Instituto de Apoio e Orientação às Pessoas em Situação de Rua  (Inaper) e ao Lacre do Bem, associação sem fins lucrativos que promove a reciclagem de lacres , educação ambiental e a inclusão de pessoas com deficiência física nos diversos setores da sociedade. 


Serviço

Espetáculo de balé Movimento em Cena
Dia 9 de outubro, às 19h30 
Teatro Sesiminas, rua Padre Marinho, 60, bairro Santa Efigênia, Belo Horizonte


domingo, 20 de setembro de 2026

DEMOCRACIA E MULHERES - CONQUISTAS E DESAFIOS

Foto: divulgação

Por onde passa, a Ministra Carmen Lúcia faz uma defesa veemente da democracia e de suas formas de inclusão. É sobre isso, sobre como mulheres conquistaram o direito ao voto em 1932 e participar da vida democrática que ela vai falar no próximo Sábado Feminista em 26 de setembro, na Academia Mineira de Letras.

Em livro que acabou de ser publicado, "Pela mão do povo", da editora Bazar do tempo, ela manifesta esta construção permanente da democracia, incluindo grandes contingentes humanos que estavam à margem da cidadania: mulheres, analfabetos, indígenas.

Foto: divulgação

                                         

Se um longo caminho foi percorrido e vitórias foram alcançadas, a luta agora, afirma um dos artigos do livro, é por uma maior representatividade: as mulheres, apesar de constituírem mais de 50 por cento do eleitorado brasileiro, permanecem como minoria esmagadora da Câmara e do Senado, com cerca de 15 por cento dos assentos.

Após a palestra e debate com o público, haverá a venda do livro "Pela mão do povo", da editora Bazar do Tempo. As organizadoras: Carmen Lúcia Antunes Rocha, Heloisa M. Starling e Nayara Corrêa Henriques Pinto. As duas últimas participam do Projeto República, da UFMG. 

Foto: divulgação

                                            


Democracia e mulheres 
Conquistas e desafios

26 de setembro às 10h 
Academia Mineira de Letras 
Rua da Bahia 1466

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Restam poucos ingressos para o show que a cantora portuguesa Carminho fará no Sesc Palladium



Considerada a maior voz do fado contemporâneo e um dos nomes de maior projeção internacional de Portugal, a cantora Carminho faz estreia nacional do seu novo show em BH. A única apresentação de “Vou Morrer de Amor ou Resistir” acontecerá no dia 19 de agosto (quarta-feira) no Grande Teatro Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046 - Centro).

Esta é a terceira vez que Carminho se apresenta aqui na cidade, e já conquistou muitos fãs. Em seu último show (2024) ela lotou o teatro e agora tudo indica que o sucesso se repetirá, pois restam poucos ingressos na bilheteria do Sesc Palladium. 

O show marca o lançamento de seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “Vou Morrer de Amor ou Resistir” (cujo conceito flerta com a dualidade de resistir). No novo trabalho, Carminho assina a produção e solidifica sua jornada como autora e intérprete. O disco conta com 11 composições — incluindo fados tradicionais e faixas autorais —, reforçando a dedicação da artista na permanente descoberta do gênero e na afacirmação de um discurso próprio na música global.

"Morre-se muito de amor no fado, mas poder resistir é algo que me interessa e me interessa cantar. Neste trabalho, fui muito inspirada pela mulher, pela ideia de que a mulher ocupa um lugar central como intérprete, mas que existem muitas narrativas paralelas, mesmo ambíguas, dentro da própria mulher", destaca Carminho.

O álbum e o espetáculo trazem inovações estéticas marcantes. Pela primeira vez, a sonoridade tradicional da fadista ganha o suporte de instrumentos históricos da música eletrônica e experimental, como o Vocoder, o Cristal Baschet e as Ondes Martenot. A inspiração para essa fusão une as referências dos conjuntos de guitarras de Raúl Nery e Martinho d’ Assunção e de grandes vozes fadistas — como Maria Teresa de Noronha, Beatriz da Conceição e Teresa Siqueira (mãe de Carminho) — ao pioneirismo eletrônico de Wendy Carlos e Annette Peacock nos anos 1960.

O repertório do show também celebra colaborações de peso presentes no disco. Entre os destaques estão a faixa "Saber", gravada originalmente com a vanguardista norte-americana Laurie Anderson (música de Carminho e poema de Ana Hatherly), e a canção "Dia Cinzento", que encerra o álbum com a participação do pianista Mário Laginha.

Foto: Mariana Maltoni

Serviço:

Evento: Show de estreia da turnê de Carminho
Data: 19 de agosto (quarta-feira)
Horário: 21 horas
Local: Grande Teatro Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro, 1046 - Centro, BH – MG
Ingressos já estão à venda pelo Sympla:  https://bileto.sympla.com.br/event/120466 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Mineiro muda de carreira e conquista reconhecimento internacional em apenas seis meses: de consultor de marketing digital a premiado em Cannes





Foto:  IDMedia Cannes


Psicólogo e consultor de marketing digital por 15 anos, Rodrigo Volponi decidiu apostar na paixão pela música para cinema. Em meio ano, conquistou quatro prêmios internacionais, incluindo dois em Cannes, além de uma indicação na Noruega

Durante 15 anos, Rodrigo Volponi construiu uma carreira como consultor de marketing digital e psicólogo. Entre seus clientes estavam nomes como o escritor Paulo Coelho e a apresentadora Ana Maria Braga. Há apenas seis meses, porém, decidiu colocar em prática um sonho antigo: dedicar-se integralmente à composição de trilhas sonoras para cinema. A mudança de rumo já lhe rendeu reconhecimento internacional. No último dia 27 de junho, o mineiro conquistou dois dos principais prêmios do World Film Festival, em Cannes, na França, nas categorias Melhor Compositor do Ano e Melhor Canção Original.

A conquista consolida uma ascensão meteórica na música para cinema. Rodrigo já acumula premiações na França, nos Estados Unidos e na Espanha, além de uma indicação ao Ardelio Festival, na Noruega.

"Ir a Cannes não foi apenas sobre receber prêmios, mas ocupar o espaço onde as grandes decisões criativas do cinema são tomadas. Tive contatos com pessoas que realmente querem fazer a diferença no mundo por meio da arte", afirma.

A premiação em Cannes chama atenção também pelo nível de competitividade. O festival recebeu cerca de 7.800 inscrições. Apenas mil trabalhos avançaram para as etapas seguintes e, ao final do processo de seleção, Rodrigo foi um dos vencedores em duas categorias da mostra internacional dedicada ao cinema independente.

A obra responsável pelo reconhecimento foi Warao of Waters, composta em fevereiro de 2026, cerca de 60 dias após o início de seus estudos profissionais em composição para cinema. A peça combina referências culturais indígenas com uma linguagem orquestral cinematográfica.

Foto:  IDMedia Cannes

Do marketing para a música

Embora tenha decidido mudar de profissão, Rodrigo afirma que a experiência adquirida ao longo de 15 anos no marketing digital foi fundamental para acelerar sua evolução como compositor. "O marketing digital me deu fluência para trabalhar com softwares complexos. Na composição para cinema, dominar essas ferramentas permite que a criatividade flua sem barreiras", explica.

Antes de dedicar-se integralmente à música, atuou como consultor de marketing digital de empresas e personalidades, entre elas o escritor Paulo Coelho, em Genebra, e a apresentadora Ana Maria Braga, no Rio de Janeiro. Paralelamente, graduou-se em Psicologia e concluiu mestrado em Ciberpsicologia, na Inglaterra, área que estuda o comportamento humano diante das novas tecnologias.

Foto:  IDMedia Cannes


Um sonho cultivado desde a infância

Natural de Governador Valadares (MG), Rodrigo mudou-se ainda criança para Belo Horizonte. Aos 10 anos ganhou o primeiro violão e aprendeu a tocar de forma autodidata. Mais tarde, integrou a Orquestra de Violões do Colégio Estadual Central, projeto que tinha como padrinho o músico Toninho Horta.

A música acabou ficando em segundo plano quando ingressou no mercado de marketing digital, mas nunca deixou de fazer parte de sua vida. No fim de 2025, decidiu investir em um curso de composição para cinema ministrado por um compositor de Los Angeles. Pouco tempo depois, escreveu Warao of Waters, obra que lhe abriu as portas dos festivais internacionais.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Já estão à venda os ingressos para o show que a cantora Carminho fará no Sesc Palladium

 Principal voz do fado contemporâneo lança seu 7º álbum, que traz misturas eletrônicas e parcerias com Laurie Anderson e Mário Laginha




No dia 19 de agosto (quarta-feira), às 20 horas, o Grande Teatro Sesc Palladium será o palco de estreia da turnê nacional da cantora portuguesa Carminho. Considerada a maior voz do fado contemporâneo e um dos nomes de maior projeção internacional de Portugal, a artista escolheu a capital mineira para iniciar a série de apresentações que passará também pelo Rio de Janeiro, Bragança Paulista e São Paulo.

O show marca o lançamento de seu sétimo álbum de estúdio, intitulado “Eu Vou Morrer de Amor ou Desistir” (cujo conceito flerta com a dualidade de resistir). No novo trabalho, Carminho assina a produção e solidifica sua jornada como autora e intérprete. O disco conta com 11 composições — incluindo fados tradicionais e faixas autorais —, reforçando a dedicação da artista na permanente descoberta do gênero e na afirmação de um discurso próprio na música global.

"Morre-se muito de amor no fado, mas poder resistir é algo que me interessa e me interessa cantar. Neste trabalho, fui muito inspirada pela mulher, pela ideia de que a mulher ocupa um lugar central como intérprete, mas que existem muitas narrativas paralelas, mesmo ambíguas, dentro da própria mulher", destaca Carminho.

O álbum e o espetáculo trazem inovações estéticas marcantes. Pela primeira vez, a sonoridade tradicional da fadista ganha o suporte de instrumentos históricos da música eletrônica e experimental, como o Vocoder, o Cristal Baschet e as Ondes Martenot. A inspiração para essa fusão une as referências dos conjuntos de guitarras de Raúl Nery e Martinho d’ Assunção e de grandes vozes fadistas — como Maria Teresa de Noronha, Beatriz da Conceição e Teresa Siqueira (mãe de Carminho) — ao pioneirismo eletrônico de Wendy Carlos e Annette Peacock nos anos 1960.

O repertório do show também celebra colaborações de peso presentes no disco. Entre os destaques estão a faixa "Saber", gravada originalmente com a vanguardista norte-americana Laurie Anderson (música de Carminho e poema de Ana Hatherly), e a canção "Dia Cinzento", que encerra o álbum com a participação do pianista Mário Laginha.


T E S T E M U N H O S   S O B R E   C A R M I N H O (aqui no Brasil)

O que é que essa menina não tem?”
(Milton Nascimento)

“Ela impressiona com uma voz grave e leve ao mesmo tempo, com uma presença imponente no palco, dominando sua arte com autoridade. Adora cantar e inspira o amor pela música.”
(Marisa Monte)

“Só de estar ao lado da Carminho e ouvi-la cantar já é uma coisa divina.”
(Caetano Veloso)

“Ela parecia uma produtora de moda, de botas e saia. Até que começou a cantar maravilhosamente bem, com sua voz poderosa. Pouco tempo depois, lançou o disco e ficou conhecida. Tem elegância, uma discrição doce e é muito moderna. Adoro esta Carminho bem portuguesa”.
(Fafá de Belém)

“Amada por todos nós brasileiros. Uma voz que vem do céu”. (Alcione)

“Ela é tão única, capaz de interpretar a tradição do país de uma forma contemporânea. Ela canta o fado de calça jeans. Aceitei o desafio, mesmo sem muito dinheiro e com horários apertados. A Carminho comanda-me. Nada é óbvio. É uma portuguesa do universo, uma nómada que preserva o berço da sua cultura. Ela trouxe a luz de Lisboa para o estúdio em São Paulo, e eu adorei o resultado.”
(Giovanni Bianco)


Serviço:

Evento: Show de estreia da turnê de Carminho
Data: 19 de agosto (quarta-feira)
Horário: 21 horas
Local: Grande Teatro Sesc Palladium - Rua Rio de Janeiro, 1046 - Centro, BH – MG
Ingressos já estão à venda pelo Sympla:  https://bileto.sympla.com.br/event/120466 
Produtora em BH: Artbhz Produtora de Espetáculos

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Sábados Feministas recebe Adriane Garcia e Thaís Guimarães para o sarau-debate “Poéticas do envelhecimento”, na AML

 O encontro contará com leitura de poemas, conversa com Constância Lima Duarte e apresentação do livro “Círculos onde envelheço”. O evento é gratuito e aberto ao público

Poéticas do envelhecimento é o tema do próximo encontro do projeto Sábados Feministas, que acontece no dia 20 de junho, às 10h, na Academia Mineira de Letras. O evento reúne as poetas Adriane Garcia e Thaís Guimarães e a professora, ensaísta e pesquisadora Constância Lima Duarte para uma manhã dedicada à literatura, à memória e à permanência das vozes femininas na cultura brasileira. Gratuito e aberto ao público, o encontro combina leitura de poemas, reflexão crítica e debate sobre os processos de apagamento e preservação da produção intelectual de mulheres.


Foto: Divulgação

Durante a programação, Adriane Garcia e Thaís Guimarães apresentarão poemas autorais e textos de escritoras que atravessam mais de um século da literatura brasileira, além de compartilharem os bastidores do livro que lançam na semana seguinte. A publicação nasce do diálogo estabelecido pelas autoras com escritoras fundamentais de diferentes gerações, entre elas Maria Firmina dos Reis, Narcisa Amália, Chrysanthème, Laís Corrêa de Araújo, Adélia Prado, Conceição Evaristo, Líria Porto, Branca Maria de Paula e Sônia Queiroz. O resultado é uma conversa literária que ultrapassa o tempo, aproximando diferentes experiências de criação, resistência e pertencimento. Segundo Adriane Garcia e Thaís Guimarães, as escritoras homenageadas compõem uma espécie de linhagem afetiva e estética que atravessa suas trajetórias. “São vozes que se desdobram nos círculos da poesia, da linguagem e da memória, constituindo também nossas próprias vozes como poetas contemporâneas”, afirmam.

Foto: Divulgação

A partir desse diálogo entre gerações, a pesquisadora Constância Lima Duarte abordará o conceito de memoricídio, ou seja, a destruição ou apagamento da memória e do patrimônio cultural de determinados grupos sociais. Referência nacional nos estudos sobre literatura produzida por mulheres, Constância discutirá como a exclusão de autoras dos registros históricos e dos cânones literários ainda impacta a forma como a cultura brasileira é construída e transmitida. Para a pesquisadora, o projeto desenvolvido por Adriane Garcia e Thaís Guimarães representa “um primoroso trabalho poético”, tanto pela originalidade da parceria quanto pela capacidade de lançar nova luz sobre a produção literária feminina. Ao recuperar e atualizar essas vozes, o encontro propõe uma reflexão sobre envelhecimento, legado e permanência, mostrando como a literatura pode atuar como ferramenta de resistência ao esquecimento e de construção de memória coletiva.


SERVIÇO 

Sábados Feministas
Poéticas do envelhecimento
com Adriane Garcia, Thaís Guimarães e Constância Lima Duarte

Data: 20/06, sábado, às 10h – Portões abertos às 09h30
Local: Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia 1466 - Lourdes) 

Entrada gratuita.


quinta-feira, 11 de junho de 2026

Projeto “(In)finitudes” reúne relatos sobre adoecimento, espiritualidade, medo e tabu da morte

 Obra idealizada por Eleonora Santos será lançada no dia 20 de junho, no Palácio das Artes

No dia 20 de junho, o Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes, recebe o lançamento doprojeto “(In)finitudes”, realizado por meio da Lei Rouanet - Lei Federal de Incentivo à Cultura - com patrocínio do Itaú e apoio da Fundação Clóvis Salgado. O projeto engloba (1) a obra literária idealizada por Eleonora Santos e (2) o conjunto de seis podcasts que propõem reflexões sensíveis sobre morte, espiritualidade, relações médico-paciente e as diferentes formas de enfrentar os desafios que as doenças impõem à vida. Construído a partir de entrevistas, o livro reúne relatos de 19 pacientes diagnosticados com câncer, sobretudo do sistema linfático, e 3 depoimentos de pessoas que vivem “o outro lado” – o lado daqueles que estão ao entorno dos adoecidos ou dos falecidos. Ao longo de sua produção, foram realizadas mais de 40 horas de conversas, 4 viagens pelo interior do estado de Minas Gerais e encontros com pacientes e famílias que compartilharam suas trajetórias de forma íntima.

Foto: Claudio Ramos

O projeto nasceu da própria experiência da autora. Após receber o diagnóstico de um
câncer crônico, Eleonora experimentou aquilo que um de seus médicos, Dr. Vanderson
Rocha, lhe disse logo na primeira consulta: “Sua vida nunca mais será a mesma”. E, de fato,
nunca mais foi. A autora do livro, que leva o mesmo nome do projeto – (IN)FINITUDES –
vivenciou profundas transformações e, em meio ao impacto da doença, encontrou na espiritualidade caminhos de acolhimento e sustentação para atravessar o processo de adoecimento. A partir dessa vivência, surgiu o desejo de ampliar a discussão sobre temas ainda cercados de silêncio, tabu, vergonha ou medo, inclusive dentro dos consultórios. Segundo Eleonora Santos, as histórias reunidas em “(In)finitudes” ultrapassam o universo das doenças hematológicas e revelam experiências marcadas pelo medo, pela incerteza e pela busca por sentido e propósito. Em suas conversas com os pacientes, ela saía
extremamente grata por ter tido a oportunidade de viver a escuta. De fato, o que mais marcou a autora foi a confiança e a abertura que sentiu dos pacientes, a vontade que tinham de falar daquele momento de suas vidas, mas, sobretudo, de serem “escutados sem filtro” - esss, talvez, um dos maiores desafios. Ao longo da construção da obra, também surgiram questões que vão além dos protocolos médicos, como o impacto da doença sobre suas próprias identidades, os rearranjos familiares, além do desconforto social associado a determinados diagnósticos, do acanhamento nos atendimentos médico-hospitalares e da espiritualidade como espaço de sustentação emocional. As narrativas são plurais, englobam homens e mulheres, de jovens adultos a pessoas mais idosas, atendidos pelo SUS e pela rede privada.

A narrativa construída por Eleonora busca acolher não apenas quem enfrenta diretamente a doença, mas também familiares, amigos e todos aqueles atravessados, de alguma forma, pelos desafios do cuidado e do tratamento. Mais do que um lançamento literário, “(In)finitudes” é um projeto que inclui a produção de entrevistas em formato de podcast – em breve disponíveis no YouTube e no Spotify –, que têm o objetivo de oferecer visões, relatos de sofrimentos, dores, inspirações, crescimentos, desafios e perspectivas espirituais de pacientes diagnosticados e tratados com linfomas e outros cânceres.

O objetivo último é levar ao público reflexões capazes de subsidiar novos pacientes, amigos e familiares sobre as mudanças de perspectivas decorrentes do diagnóstico e da experiência de “vida em tratamento”, tendo a perspectiva da finitude da vida e da infinitude das relações como pano de fundo.

O projeto também tem o propósito de sensibilizar o corpo clínico dos profissionais de saúde, que atuam diretamente na área oncológica ou de doenças crônicas, para os sofrimentos e necessidades de abordagem, cuidados e atenções que estão para além dos espaços de consultórios, clínicas e hospitais, transpondo os momentos de tratamento.

Em suma, (IN)FINITUDES busca trazer a discussão sobre as perspectivas de vida e morte, finitude e transcendência, propósitos e ressignificados que a vida apresenta com a chegada da doença, por meio de um diálogo profundo, verdadeiro, que "saia de dentro da alma" dos entrevistados. Daí o (IN), que no latim tem o sentido “de dentro”.

Sobre a autora

Eleonora Santos é economista, mestre em Demografia, doutora em Administração e pósdoutora em Economia da Saúde pela UFMG, além de possuir MBA Executivo pela CoppeadUFRJ. Na área da cultura e da comunicação, atuou como dirigente máxima da empresa responsável pela produção da grade de programação da Rede Minas e foi presidente do Conselho de Administração da EMC – fusão da Rádio Inconfidência com a Rede Minas de   TV. Atualmente, é colunista do portal Estado de Minas, produtora cultural, professora convidada da Educação Executiva da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e consultora para organismos nacionais e internacionais.

Sobre o evento de lançamento em Belo Horizonte

Data: 20/06/2026
Horário: 10h às 13h30
Local: Cine Humberto Mauro, Palácio das Artes
Av. Afonso Pena, 1.537 – Belo Horizonte – MG
Evento aberto ao público, sem necessidade de ingresso

Contato Proponente

Eleonora Santos
E-mail: projetoinfinitudes@gmail.com
Celular: +55 31 98888-2206