Bailarinas de 53 a 84 anos vão se apresentar em 9 de outubro, no Teatro Sesiminas, no espetáculo Movimento em Cena com músicas de cinema; cuja entrada é a doação voluntária de 1 kg de alimento não perecível
Da cirurgia de hérnia de disco que comprometeu o equilíbrio e a coordenação motora aos tratamentos, às aulas de balé aos 56 anos, à abertura das cortinas do espetáculo. Maria Elizabeth Abreu Araújo será uma das 73 bailarinas, com idades entre 53 e 84 anos, que vão subir ao palco do Teatro Sesiminas, em Belo Horizonte, no Movimento em Cena, neste 9 de outubro, às 19h30, com músicas de cinema. Elas vão apresentar, por meio da dança, novas interpretações de histórias conhecidas pelo público nas telas.
“Escolhemos o tema porque o cinema desperta memórias e emoções que dialogam com as vivências das nossas bailarinas. Ao levar essas histórias ao palco, queremos valorizar a criatividade e a força expressiva das mulheres com mais de 50 anos, mostrando que a arte pode ser vivida e reinventada em qualquer fase da existência”, diz a fisioterapeuta Meiry Ismeria de Paula, coordenadora do Ballet 50+, projeto desenvolvido pela Associação Meiry Ismeria de Paula.
Serão 16 coreografias nos ritmos clássico, contemporâneo e pop rock dos anos 1970. Meiry de Paula informa que as músicas são de filmes que fizeram muito sucesso, como New York, New York (1977) e Titanic (1997) e Loucuras de Verão (1973). Os ritmos desses grandes filmes vão dar visibilidade e brilho às bailarinas no palco em Belo Horizonte, como Maria Elizabeth. “Desde o início, ela tem demonstrado progressos significativos em aspectos como equilíbrio, coordenação, consciência corporal, confiança para a realização dos movimentos, autoestima e interação social.”
A fisioterapeuta vê, percebe, confirma que a prática do balé se mostra uma importante ferramenta complementar para a promoção da saúde física e emocional. “A dança ajuda demais na melhora e fortalecimento da autoestima, estimula a memória e a atenção, cria oportunidades de convivência e amizade. Algumas alunas que enfrentam a depressão relatam melhora no ânimo e no bem-estar desde que começaram a participar das aulas. É emocionante vê-las redescobrir a alegria de dançar e a confiança para ocupar o palco.”
Os espetáculos são realizados desde 2022. Eram duas apresentações por ano e em 2025 foram três. Aumentaram em 2026: uma já foi realizada e estão previstas outras três. Passaram para um teatro maior, terão mais bailarinas de baixa renda. “Este é um dos diferenciais, as apresentações vão ter mulheres que sonharam em fazer balé e nunca tiveram oportunidade”, explica a coordenadora do projeto. Ela afirma que tanta transformação foi possível com patrocínio da empresa Medsenior.
Com a ajuda, ela conseguiu confeccionar figurinos para as alunas, abrir espaço a mulheres de poder aquisitivo mais baixo, oferecer lanche nos dias de espetáculos, levar a apresentação para teatro maior. “Sou muito grata”, diz Meiry de Paula que emociona-se ao falar do resultado do trabalho de inclusão da terceira idade por meio da arte.
“ A vida ficou mais leve”
Aos 65 anos, Maura Gordiano de Castro diz que o balé transformou sua vida. “Antes da dança, eu vivia em função do trabalho, da família, da casa e dos filhos. Estava sempre estressada, ansiosa e preocupada com a correria do dia a dia, tentando fazer muitas coisas ao mesmo tempo. A rotina era sempre a mesma”, conta.
Maura decidiu, então, se matricular no balé como forma de exercitar o corpo, mas os benefícios da dança foram muito além. “Era para ser uma atividade física, mas a dança mudou minha vida de uma forma maravilhosa. A vida ficou mais leve. Não estou mais ansiosa, não me estresso à toa, consigo dormir bem e organizar minhas coisas com calma. Sinto-me bem-disposta e animada”, relata.
Para ela, o carinho, a acolhida e a convivência com mulheres inspiradoras também fazem parte da transformação proporcionada pelo balé e contribuem para seu bem-estar e sua autoestima. E ela está pronta, preparada para a abertura das cortinas do palco do Sesiminas, no dia 9, e de quantos mais vierem.
Como obter os ingressos
A entrada para o espetáculo é a doação voluntária de 1 quilo de alimento não perecível , mas antes é necessário pegar ingresso no (31) 99493-4221 com Meiry de Paula.
Os alimentos serão destinados ao Instituto de Apoio e Orientação às Pessoas em Situação de Rua (Inaper) e ao Lacre do Bem, associação sem fins lucrativos que promove a reciclagem de lacres , educação ambiental e a inclusão de pessoas com deficiência física nos diversos setores da sociedade.
Serviço
Espetáculo de balé Movimento em Cena
Dia 9 de outubro, às 19h30
Teatro Sesiminas, rua Padre Marinho, 60, bairro Santa Efigênia, Belo Horizonte













