Organização Constância Lima Duarte
Belo Horizonte: Todavoz Editora, 2026.
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| Fotografa: Izabel Lima Chumbinho |
A publicação Da invenção ao inventário: heranças de Laís Corrêa de Araújo pretende abrir as comemorações pelo centenário de nascimento da escritora mineira, e contribuir para iluminar seu pioneirismo nas diversas frentes culturais em que atuou. Jornalista, editora, ensaísta, tradutora e poeta, Laís Corrêa de Araújo sempre surpreendeu pelo dinamismo, competência e sensibilidade em todo trabalho que realizou.
A famosa indagação feita em alto e bom som durante a realização da Semana Nacional de Poesia de Vanguarda, em 1963, em Belo Horizonte – “Por que a Laís está aqui?” – ecoa ainda hoje como a nos lembrar dos inúmeros percalços que ela deve ter enfrentado em sua longa e profícua trajetória intelectual. O espanto perceptível na pergunta permite-nos redimensionar a surpresa que sua presença devia causar, não só por circular desenvolta em ambientes até então reservados aos homens, mas principalmente por ter uma intensa vida literária e realizar, a despeito de todos, um trabalho inédito, sério e competente.
Ainda na década de 50, Laís Corrêa de Araújo estreou como cronista dos jornais Diário de Minas, O Estado de Minas e Suplemento Literário Minas Gerais, participação logo estendida com sucesso às páginas da revista carioca O Cruzeiro e d’ O Estado de S. Paulo, entre outros. Na sequência, surge sua obra poética iniciada com Caderno de Poesia (1951), seguida de O signo e outros poemas (1955), Cantochão (1967), Decurso de prazo (1988), Geriátrico (2002) e Inventário (2003); ampliada com os títulos infantis – O grande blá-blá-blá (1974), O relógio mandão (1989), A loja do Zéconzé (2000), e com estudos sobre a poesia de Murilo Mendes e traduções de variados poetas e dramaturgos.
Esta publicação que o Grupo de Pesquisa Mulheres em Letras da UFMG traz a público, revela quão valiosa foi a produção intelectual da autora através de artigos e ensaios de renomados pesquisadores que revisitam sua obra sob diferentes abordagens. E o livro contém ainda depoimentos inéditos de familiares que revelam a face menos conhecida da escritora. As lembranças, ao mesmo tempo íntimas e pessoais, lá expostas, vêm comprovar a energia desta mulher, agora acessível também ao público leitor.
Sumário
Apresentação – Constância Lima Duarte
Depoimentos
Laís Corrêa de Araújo, minha mãe poeta: Cristina Ávila
Quando a arte da poesia encontra a vida: Mônica de Ávila Todaro
Laís Corrêa de Araújo – Um álbum de recortes: Myriam Ávila
Aulas de literatura para se tornar um decifrador de sonhos juvenis: Wagner Corrêa de Araújo
Sonetos à amada gestante: Affonso Ávila
Ilustração para o poema “Contrição”, de Laís Corrêa de Araújo: Isabel Ávila
Artigos /Ensaios
O inventário poético de Laís Corrêa de Araújo: Maria Esther Maciel
Palavras de mulher: heranças da escrita multifacetada de Laís Corrêa de Araújo: Renata Maurício Sampaio
Nota de pé de página ao inventário poético de Laís Corrêa de Araújo: Luciana Pimenta
Decurso de prazo: escolhas poéticas de Laís Corrêa de Araújo: Ilca Vieira de Oliveira & Viviana Pereira Silva
Recados poéticos: o infantil em Laís Corrêa de Araújo: Noêmia Coutinho Pereira Lopes, Rita de Cássia Silva Dionísio Santos, Ozana Aparecida do Sacramento
Ao rés-do-chão: insubmissa escrita de Laís Corrêa de Araújo: Laile Ribeiro de Abreu
Laís Corrêa de Araújo: leitora de Murilo Mendes: Josoel Kovalski
Crítica e inserção intelectual: Laís Corrêa de Araújo: Kelen Benfenatti
O Olhar Armado: Laís Corrêa de Araújo no ofício da crítica literária: Deivide de Almeida Ávila, Ozana Aparecida do Sacramento
A tradução mediadora de Laís Corrêa de Araújo: Imaculada Nascimento
Relação das obras de Laís Corrêa de Araújo.
Sobre as autoras e autores
Mini CV: Constância Lima Duarte
Minha vida profissional pode se resumir em duas atividades: professora e pesquisadora. Durante algumas décadas tive a honra e o prazer de ensinar Literatura no Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e também na Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Como pesquisadora, cultivo um especial fascínio pelas pioneiras, em especial Nísia Floresta, e alguns livros já publicados testemunham isso: Direitos das mulheres e injustiça dos homens, de Nísia Floresta Brasileira Augusta (1989); Nísia Floresta: vida e obra (1995; 2008); Literatura do Rio Grande do Norte, antologia (2001); Mulheres de Minas: lutas e conquistas (coautoria, 2008); Dicionário de escritoras portuguesas (coautoria, 2009); Inéditos e dispersos de Nísia Floresta (2009); Escritoras do Rio Grande do Norte (coautoria, 2013); Imprensa feminina e feminista no Brasil – século XIX. Dicionário ilustrado (2016; 2018); Imprensa feminina e feminista no Brasil – século XX. Dicionário ilustrado (2023); #NisiaFlorestaPresente: uma brasileira ilustre, (2022); Memorial do Memoricídio: escritoras brasileiras esquecidas pela história (2023), entre outros.
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Celular: 31-98794 6270






